- Bom, Hilde, mas só agora começamos a orientar-nos. A distância em relação à primeira estrela mais próxima de nós na Via Láctea perfaz quatro anos-luz. Talvez seja aquela estrela que vemos lá em cima, sobre aquela ilhota. Se imaginares que neste preciso momento um astrônomo está a observar Bjerkely lá de cima com um telescópio potentíssimo, veria Jerkely como era há quatro anos. Talvez visse uma moça de onze anos, aqui sentada, e a balançar os pés.
- Não tenho palavras.
- Mas isso é apenas a estrela que está mais próxima de nós. Toda a galáxia, ou “nebulosa”, como também se chama, tem a extensão de 90,000 anos-luz. Significa que a luz de uma extremidade da galáxia até à outra extremidade, leva todos esses anos a percorrê-la. Quando observamos uma estrela na Via Láctea, que está afastada do nosso sol 50,000 anos-luz, vemos como era há 50,000 anos.
– Esse pensamento é demasiado grande para uma cabeça tão pequena como a minha.
– Quando observamos o espaço, observamos o passado. Não temos outra escolha. Nunca sabemos como o universo “é” agora. Quando observamos uma estrela, que dista milhares de anos-luz, estamos a regressar a milhares de anos atrás na história do espaço.
- É inacreditável.
Retirado de O Mundo de Sofia.
Se as estrelas tem tempo para pararem, esperarem, nos olharem, por que eu não teria tempo para vê-las?
Comentário por Igor Fediczko — janeiro 19, 2012 @ 4:32 am