Arquivos Mensais:julho 2008

Dialética

Hoje respondi uma pergunta sobre qual a função social do poeta…

Fazer algo o mais erudito possível para que as pessoas se impressionem e o mais simples possível para que as pessoas entendam.

De nada encher as palavras de vírgulas, apostos, pronomes e sei lá mais o que, se as metáforas não dizem nada.

Lilith

Tem uma estória linda que eu gosto de contar…

Lilith era a mulher de Adão. “Era” pois todo mundo só fala da tal de Eva. Mas Lilith veio bem antes, e não aceitava ficar por baixo – literalmente. O problema de Lilith foi que Deus a fez com Liberdade e Loucura, e isso a consumia. Não queria ter filhos – alias, matou os filhos que teve!!!

Então, fugiu, foi pro rio nadar, foi procurar o que fazer, pois ficar o dia inteiro na cola de Adão deveria ser realmente um saco.

Deus então resolveu dar vida a Eva, tirando uma costela de Adão, submetendo a mulher ao homem, a colocando embaixo dele. E assim a estória se fez, até que um dia Eva resolveu dar uma volta, conheceu Lilith e essa filha do diabo contou coisas maravilhosas para Eva. Falou de amor, liberdade, loucura, paixão, tesão, ousadia, e todas essas coisas que uma pessoa iluminada poderia saber.

Não deu outra, Eva voltou, mostrou tudo o que aprendeu – numa das metáforas mais bonitas da biblia, a “maça do conhecimento”, e os dois fizeram uma escolha: trocaram a chatisse eterna pelo esplendor efêmero.

***

Sim, Lilith foi expulsa do paraíso e tentaram colocar uma moça mais controlada, mas, pelo que podem ver, não deu certo.

O Curinga é uma espécie em extinção

Dito isso, fica a dúvida: Quem é que lê o que está sendo escrito nas entre-linhas da Vida.

A Loucura não lê, a Liberdade gosta mais do método braille, vai tocando tudo com as mãos.

Ontem tive, misteriosamente, 98 acessos nesse blog.

98 visitantes únicos, eu fico em dúvida de onde eu conheço essa gente. Talvez nem conheça, talvez nem liguem para mim, o mais importante – sempre – é a poesia.

Talvez venham até aqui pois a Loucura é atraente.

Essa é a graça da poesia: Ela é mágica. Fabulosa, mágica, fantástica, use o termo que quiser. A poesia envolve e precisa ser mostrada, em todos os lugares.

A POESIA PRECISA SER AMPLIFICADA.

Poeta precisa mostrar o que escreve, pois o mundo merece. É isso que faço, e é esse o carinho que recebo, de quando em quando nos comentários, de quando em vez nas estatísticas, de raro em quando em comentários pessoais.

Amo todos vocês. Um por um. Deliciosamente.

A mais clara das madrugadas

Edson Marques é um louco varrido que me inspira até dizer chega. Fala sobre amor e liberdade, e eu, sabendo de tudo que não sei, não poderia falar de outra coisa senão amor e liberdade.

O seu blog é o melhor blog que pode existir na internet. Pois é livre.

Não só é livre, mas também liberdade. Faz nascer a liberdade.

Abaixo reproduzo um texto desse maluco, e peço que acessem o blog dele, pois será a atitude mais gratificante que você fará para você mesmo nessa madrugada maluca.

Ela estava em dúvida entre os perfumes. Morena infinita, vestida de azul e de estrelas, sandálias brancas, um sorriso brilhante. Ofereci-me para ajudá-la na decisão esplendorosa. Ela então estendeu-me os pulsos delicados, quase trêmulos, inclinei-me, e pude sentir, além da fragrância deliciosa, um coração entusiasmado. Eram 17 horas e esta tarde quase virou madrugada. – Edson Marques

http://mude.blogspot.com

O que é a literatura?

Como esses dois últimos dias foram um pouco cansativos, hoje eu queria ter escrito uma postagem aqui na maneira que eu tenho escrita no papel. Mas o blog me impediu.

Imaginem assim, jovens leitores, a primeira linha segue com de vazio…, com reticências mesmo, e pula linha.

Pula muitas linhas. Lá embaixo, depois de muitas linhas puladas, da-se um espaço grande e escrevo … já estou cheio

E, teóricamente, terminaria a postagem, terminaria o poema, que de letras não se sustenta, mas sim de vazio, de pula-pula das linhas.

Mas, e vejam bem, caros leitores, que esse “mas” tem um sentido especial, não consegui. Esse treco, que a gente costuma chamar de “wordpress”, que é o rapaz que fica colocando meu blog no ar, eis que resolve ver esse monte de pula-pula das linha como um afronte a sua moral, então não aceita esse pula-pula.

Não quer brincar.

Tentei muitas outras formas, usando os meus conhecimentos de html que aprendi nos porões da minha adolescência, mas nada adiantou. Tive que apelar pro ponto-e-vírgula, e nada.

Então, nessa decepção subta com o mundo virtual, impulsionado pelo “mas” acima, resolvi, inspirado no excelente filme de Charlie Kauffman, Adaptação, escrever um artigo sobre a dificuldade de escrever um artigo. É quase um poema falado, com a poesia manca das pernas.

É o poema se rebaixando ao nível da literatura para tentar transmitir a poesia.

Então hoje, dia 23 de julho de não-sei-que-ano, peço apenas que tentem visualizar o poema pretendido no lugar dessa quantidade imensa e vazia de caracteres.

Um grande abraço, até amanhã.