Vai embora junto com a água. Lava minha alma e deixe-se lavar.
Ontem sonhei que três homens vieram a minha casa, trazendo ouro, mirra e incenso… Achei estranho, ainda mais quando uma estrela cortou o céu, deixando mais claro que noite de São João.
Acordei renovado, pensando de que a Vida é desse jeito capenga, faz tic-tac no relógio do nosso organismo, quase-como-bomba relógio
E resolvi enganar o tempo. Passo, segundo a segundo, deixando a agua cair. Lavando minha alma.
Faz do meu peito cachoeira
Michael Jackson sempre foi conhecido como o Rei do pop, aquele que canta, dança, compõe, interpreta, cativa. “MJ” era o líder de vendas de um álbum – por Thriller, nos EUA.
Só que para quem não conhecia Michael Jackson tão bem, não se sabe se ele era um cantor ou um músico comprometido com o som, com os ensaios, com a própria banda, com os arranjos. Se Michael era realmente o rei do pop ou se parte do que ele significa também era devido a seu produtor Quincy Jones – que foi parceiro dele nos três primeiros álbuns, incluindo Thriller.
E no começo desse ano, Michael ensaiava para a volta aos palcos, para uma turnê de 50 shows que teria sua abertura em Londres.
This Is It é um documentário que dá conta de mostrar as gravações dos ensaios para essa turnê. This Is It são ensaios, e apenas ensaios. São raros os depoimentos, são raras as intervenções.
O filme mostra uma banda perfeitamente ensaiada, executando magistralmente as músicas de MJ, mas não é por isso que This Is It veio parar aqui nas linhas do blog.
A entrega de Michael Jackson aos ensaios é impressionante. Apesar de que suas declarações dizendo que “deus ama a todos” soam um pouco forçadas, a dedicação com a sua própria música é invejável a qualquer músico do planeta.
Ver o sincronismo dos dançarinos, o profissionalismo dos músicos, a preocupação – as vezes até excessiva – do diretor de palco, o trabalho de iluminação, de produção de vídeo. Não tem como não ficar de queixo caído para o preciosismo de This Is It.
Só para o nosso amigo leitor ter uma idéia do que o filme mostra, é possível notar, em diversas e diversas cenas, a perfeição com que MJ executa seus passos, onde a câmera se divide em duas, mostrando dois ensaios diferentes, e a repetição dos passos de MJ é praticamente idênticos.
Tudo é pensado. Tudo é milimetricamente pensado.
Quando falamos aqui no blog, em linhas e entre-linhas, que nada pode ser aleatório, é justamente disso que falamos. De um artista que procura, como o próprio Michael diz em certa cena, levar o espectador a lugares em que ele nunca esteve.
A arte tem de ser responsável pelas emoções que causa ao espectador. E o artista TEM de ser responsável por sua arte.
Ou seja, numa regra de três simples, o artista é responsável pelo espectador. É o artista que escolhe o tanto de trabalho que ele quer ter com um show. E Michael Jackson estava, decididamente, disposto a ir até o fim para fazer um show jamais visto.
Infelizmente, This Is It é o Making Off de um show que jamais existiu. Michael Jackson foi, mas deixa um legado invejável.
O artista desaparece, mas sua obra fica, servindo para sempre de inspiração.
ins-piração.
Eu não sou muito de acreditar em Deus… Ele é bacana, teve um filho legal e tal, mas mesmo assim, não acho ele “O cara”, entende? Não O conheço, mas tenho um amigo que jura que já O viu.
Com 4 anos de idade, fui soltar pipa no meio da rua, um carro virou a esquina e arrebentou com minha perna. Não tive a possibilidade de ver nenhuma copa do mundo e um carro já tinha partido meu fêmur ao meio.
Minha mãe diz que rezou muito, fez umas promessas a um tal de São Judas Tadeu, me encheu de arnica, preparou comida com sazon e tudo mais. Resultado, diz ela que o médico entrou um dia na sala e disse: “você acredita em milagres? o que aconteceu com o seu filho é um…”
Não precisei operar, não precisei fazer cirurgia. Fiquei 6 meses engessado – e naquela época nem tinha twitter pra passar o tempo. E cá estou, jogando bola e correndo como Boult.
Semana passada, fui sair correndo de casa, vi que o carro estava com o pneu totalmente murcho.
Pensando que a lei da gravidade e achando que entendia mais de mecânica que lavosieur, resolvi trocar o pneu do carro sem calçar e sem ver se estava totalmente firme.
Levantei o carro, puxei a roda, e quando fui colocar o estepe, a outra roda – que estava no chão – cedeu, e o carro caiu.
Poderia estar com a mão embaixo, prendido minha mão. Poderia ter rancado um dedo e eu nunca mais tocar guitarra. Poderia milhares de coisas…
Mas, como que um aviso, só tomei uma pancada – e uma bela pancada – na mão direita.
Fui pro hospital, e um outro médico, 20 anos depois, falou a mesma coisa: “você acredita em milagres?”.
Não quebrou nenhum osso. Nada. Tudo bem que três rodas ainda seguravam o carro firme, mas sei lá quanto pesa um treco daqueles.
Engessei a mão – por precaução, tomei uns remédios (e minha mãe me deu arnica de novo), dormi muito e cozinhei com sazon.
Uma semana depois, tirei o gesso e resolvi que vou lá procurar esse tal de São Judas Tadeu para agradecer o cara.
Poderia ter acontecido muita coisa, mas quis o destino que o menor dos males acontecesse. E já estou tocando minha guitarra de novo, já estou procurando outros pneus para trocar.
PRE-CI-SO da minha mão, e ela ficou aqui, comigo.
Não sei se acredito em Deus, mas tô achando que ele acredita bastante em mim.
Leio muitos amigos e uma boa parte da imprensa falando que o Rio não deve ser sede das olimpiadas em 2016 pois não tem estrutura e não tem como comportar, hoje, um evento desse porte.
Já vou logo avisando, não há um centimetro do Brasil que seja adequado para receber um campeonado de bolinha de gude que seja.
Mas estavam na disputa Tokio, Madrid, Chicago e o meu Brasil.
Tokio tem uma cultura mais velha que Jesus Cristo e Raul Seixas juntos, se entendem mesmo de olhos fechados. Madrid tem bastante dinheiro, é o velho mundo e tem uma galera em volta que também sabe muito bem como ser organizado. Chicago é bonito e tem o Buddy Guy cantando.
No meu Brasil, tem tiroteio, bala perdida, fome, desigualdade, trânsito, doenças a dar com pau e recebemos os estrangeiros igual os ursos polares recebem o aquecimento global.
Mas as olimpiadas tem de ser aqui !!!
O Brasil é terra do samba e do pandeiro, tem beleza natural e o cazzo. O Fernando Meirelles fez o video de divulgação bem bonito. Também não ligo pra nada disso.
O fato é que se formos esperar até o Brasil ter estrutura para receber esses eventos, o homem vai pisar na Lua de novo e a gente vai estar aqui, terminando o metrô linha amarela.
Quero as olimpiadas no meu Brasil pois quero que todo o aparato público corra, igual lola no filme dos cabelos vermelhos. Quero ver hospital subindo em 5 anos, metrô furando o chão igual
PAUSA !!!
NESSE EXATO MOMENTo, ANUNCIARAM O RIO DE JANEIRO COMO SEDE DOS JOGOS DE 2016 AQUI PELA TELEVISÃO
VAI MEU BRASILLLLLL
ufa
Voltando..
O Brasil vai ensinar muita coisa ao mundo, nas artes, na cultura, na capoeira, em tudo. Mas o Brasil precisa aprender, e vai aprender na marra.
Temos olimpiadas em 2016, confirmado. Quando for finalizado o último jogo das olimpiadas, o mundo volta para suas casas e o Brasil ganha um legado. O aparato estatal vai estar muito mais forte, a saúde pública vai crescer exponencialmente, o comércio ganha, a indústria ganha.
Quero o Brasil em 2016 e não estou ligando muito se a olimpiada vai ser bonita ou não. Por mim, pode ser a mais fraca, em termos técnicos, desde Platão. O que importa, para mim, é que desde Getúlio Vargas, o Brasil nunca vai ter crescido como vai crescer nesses anos de copa do mundo por aqui e olimpiadas por aqui.
O Brasil sofreu muito com aquele viado do Médici e o Geisel, apanhou horrores… Agora “tá na hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor”. Quero ver brasileiros do país inteiro levantando concreto, furando terra, fazendo faculdade de medicina, abrindo lojinha, fazendo projetos, construindo casas, imprimindo papéis.
Sou a favor das olimpiadas no Brasil em 2016, e nem vou sofrer muito se não conseguirmos um bronze sequer.
Caro amigo,
Deixe disso, seu caminho está bem torto e maluco. E você não me parece estar escrevendo certo por essas linhas, já não sei mais como te ajudar.
O excesso de dúvidas não lhe fará bem, e esse não faz a ninguém.
Isso que você tem na mão é só uma extensão do que você deve ter como conceito.
Filosofia.
Vida.
Lhe peço muita calma para estudar sua natureza.
Lhe peço paciência.
Paz.
Ciência.
Vamos lá, bem do começo. Deus criou o mundo em sete dias – dias Dele, e não desses dias que conheçemos. Até a gramática Dele é maluca, toda torta, não passa nem no batente da certeza que temos por aqui.
Vamos lá, meu amigo, abandone esse discurso ridículo… Use mais o coração.
Nunca dá errado!
muita chuva na janela aberta
a flor não sabe
se saiu na hora certa
volta aqui, amigo
que o vento venta
sem qualquer direção
refaz esse sorriso
me dê sua mão
e let me take you down
te vejo em meus olhos
na sombra do meu caminho
mas se teu destino
quer seguir sem direção
confia teus passos em mim
e me de de volta sua mão
Hoje eu resolvi usar camisa. Tenho uma coleção interessante de camisetas, de todos os tipos. Com estampa, sem estampa, lisa, colorida, listrada, quadriculada, com frase, sem frase, de protesto, de bandas, de tudo. Gosto muito de muitas, mas hoje eu resolvi sair de camisa. Abri meu guarda roupa nessa quarta feira ensolarada e peguei uma de manga curta. Abotoei inteira, mas deixei o último aberto.
Li Edson Marques, que gritava para mim: “Abra a porta com a outra mão. Abra outras portas. Ande pelo outro lado da rua. Depois ande por outras ruas. Só o que é morto não muda”. E assim, resolvi mudar de trajes. Vou ver se tomo café em outro lugar, se olho tudo com outros olhos.
Me lembro também, minuto por minuto, da frase de um grande professor: “Enquanto você acorda num novo dia, ainda é tempo de mudar alguma coisa na sua vida”. Vou pagar tudo a vista, fazer vista grossa para o que me machuca. São Paulo, São Paulo, eu vou longe, e quando for vou sentir sua falta.