Ouçam Sonho do Pianista, música de Fabulosa Banda do Curinga
De repente, surge uma hashtag #bemmisteriosa no Twitter.
Eu, sem entender picas, mais perdido que cachorro em linha dupla de estrada, só olhei e pensei que era mais uma daquelas palhaçadas dos pseudos salvadores do mundo atual, os marketeiros.
Fui atrás e achei esse link:
http://www.simviral.com/2010/02/bem-misteriosa-da-tv-para-o-twitter/
Tá tudo explicado… No intervalo do BBB, colocaram uma fechadura na tela e disseram para acessar o sítio www.bemmisteriosa.com.br, e ao acessar a budega virtual, pede-se que twitter a hashtag #bemmisteriosa no twitter para revelar o que está depois do buraco da fechadura.
Pra começar, a primeira falha: o buraco da fechadura parece o logotipo da casa dos artistas. E na primeira aula de publicidade já é escrito na lousa: “A propaganda mexe com o inconsciente”.
Ou seja, qual for a intenção, de novo a Globo tá fazendo propaganda para o Senor Abravanel. “Fomos surpreendidos novamente”, como diria o Zagallo:
Voltando ao assunto “previsto”, então o que parece que era para acontecer, “meio” que aconteceu. Junção dos meios de comunicação, a TV anunciando o Twitter, audiência alta, todas essas coisas. Só que parece que esse #bemmisteriosa cansou… O buraco da chave não aumenta o quanto necessário, o suficiente para os garotos se divertirem e nem o suficiente para as garotas sentirem ciúmes.
E então, sem a diversão dos garotos, foi criada a hashtag #bemgostosa, mostrando que o que eles querem ver não é mistério, mas sim peitos.
Tudo bem, os limites morais e éticos dão conta de fazer com que o #bemgostosa não tome proporções maiores, mas a galerinha do twitter não tem tanto saco assim para ficar esperando esse mistério.
Dois ou três programadores descobriram que o buraco da chave não aumenta de acordo com o número de twittes, mas sim com a data. Era só mudar a data no computador, ou coisa assim.
Então, de novo, foram surpreendidos novamente. O público não é babaca. Que papo é esse de “aumentem os twittes”, sendo que a lógica tá no tempo.
Lembrei do Oliviero Toscani dizendo para uma amiga no Roda Viva que passou a uma porrada de anos atrás: “O público não é burro. Vocês são burros”
E o público (e eu me incluo), cansado dessa chatísse de #bemmisteriosa que nunca deixa de ser, criou uma outra hashtag #bemmisteriosafail
Tem um pessoalzinho – e nisso incluo aquelas meninas que colocam fotos no orkut tiradas na frente do espelho, com o sutiã de renda – que usam a seguinte filosofia de vida: “Falem bem ou mal, mas falem de mim”.
É isso que tá acontecendo. #bemmisteriosafail é falar mal. Tudo bem que tão falando do tal site, inclusive eu estou também, mas não sei se é exatamente o tipo de filosofia que eu gosto de seguir… Eu também não sou fã de fotos na frente do espelho – quissá com sutiã de renda.
Agora, uma leve checada no twitter, dá pra perceber que o principal tópico do dia é o #bemmisteriosafail.
E o Senor Abravanel ganha mais uma.
UPDATE – 18:39
Li no blog citado no começo desse post que o segredo do #bemmisteriosa vai ser revelado quando tiver 200.000 tweets…
Olha, seja lá quem esteja organizando… Gastar uma grana com um comercial no BBB e achar que o resto vem sozinho não é o suficiente. 200 mil? Por um par de peitos? Bah…
UPDATE – 19:27
Duas horas atrás escrevi esse post. Através do meu twitter pessoal (@igordisco), coloquei o link do post junto das hashtags #bemmisteriosa e #bemmisteriosafail. É impressionante a discrepância entre a quantidade de visitas de um e de outro. Mais de mil visitas em duas horas, e a maioria absoluta através da tag #bemmisteriosafail
Não é apenas “críticos servem para criticar”, mas sim o fato de que as pessoas não estão aqui para ouvir e ler passivamente. Ficaram putos, esse é o bem da verdade. Putos pois não querem ser enganados.
Nenhum de nós queremos, óbviamente…
UPDATE – 20:09
Achei um tweet do Viny182, que passou um decompilador (ou algo assim) no código do flash do site, onde mostra que a tendencia não é ter algo lá trás, mas sim uma imagem que aumenta com a relação TEMPO + Nº DE TWEETS.
Dá pra ver tudo aí…
não me importa o predicado
só me importa o sujeito
a virgula só existe
pra mostrar o que foi feito
O tempo passa, e quando a gente vê, até o relógio se atrasou.
Muita chuva, muito sol. Passei meus últimos dias de 2009 e meus primeiros dias de 2010 em dúvida se é março ou fevereiro. Se meu conto termina com um ponto ou não.
Com um pé no atlântico, o pensamento em manaus, o coração em embú e a razão em lugar nenhum. 2010 motivos para amar São Paulo. 2010 motivos para odiar São Paulo.
Eu queria ser a tartaruga que eu mesmo vi. Dócil, calma, com o mar inteiro para viajar. O sangue corre mais devagar pelas veias, o tempo passa mais devagar. Não fica triste quando se passam mais de 20 anos de sua existência. É uma criança.
Todos nós tentamos ser. Jogamos areia no vizinho, cantamos no chuveiro, falamos sozinho. Igualzinho nossos filhos, igualzinho nossos pais.
Se eu tenho de fazer uma só promessa para esses próximos dez anos, será a promessa que não vou me arrepender daquilo que não fiz. Minha música, minha arte, minha vida.
Eu e minha guitarra ainda vamos passar muitos reveillons provando isso para todos os oceanos.
Brigamos com nossos pais
Não entendemos nossas mães
Queremos nos aparecer para nossos amigos
E temos vergonha da poesia que sai de dentro das veias e artérias, colocamos entre linhas nos nossos blogs, entre hashtags do twitter
Essa é a minha geração, “talking about my generation”, como diria nosso grande amigo Pete Townshed
Sopramos contra o vento, para o vento soprar nossa cara, cuspir esse suor maluco, com jeito de confuso.
E eu aqui, ouvindo o Thom Yorke cantar “she lives with a broken man/a cracked polystyrene man”, me identificando com o falsete agudo e quase sumido da voz dele, pela 8ª vez seguida no repeat.
Pulamos 7 ondas, empurrando tudo que foi de ruim nesse ano contra a maré, pedindo para Oxalá e Vishnu que tragam só coisas boas, pois quando a gente vê, esse 2010 acabou e a gente nem viu.
2011 será nosso. Da minha guitarra também… Minha guitarra, que me ensina o que é viver, minuto-após-minuto.
o twitter deu uma porrada nos blogs por aí
esta cada vez mais difícil arranjar assunto
vamos que vamos
“eu tenho tudo que você precisa
e mais um pouco
nós somos iguais
na alma e no corpo”
já diria cazuza
Vai embora junto com a água. Lava minha alma e deixe-se lavar.
Ontem sonhei que três homens vieram a minha casa, trazendo ouro, mirra e incenso… Achei estranho, ainda mais quando uma estrela cortou o céu, deixando mais claro que noite de São João.
Acordei renovado, pensando de que a Vida é desse jeito capenga, faz tic-tac no relógio do nosso organismo, quase-como-bomba relógio
E resolvi enganar o tempo. Passo, segundo a segundo, deixando a agua cair. Lavando minha alma.
Faz do meu peito cachoeira
Michael Jackson sempre foi conhecido como o Rei do pop, aquele que canta, dança, compõe, interpreta, cativa. “MJ” era o líder de vendas de um álbum – por Thriller, nos EUA.
Só que para quem não conhecia Michael Jackson tão bem, não se sabe se ele era um cantor ou um músico comprometido com o som, com os ensaios, com a própria banda, com os arranjos. Se Michael era realmente o rei do pop ou se parte do que ele significa também era devido a seu produtor Quincy Jones – que foi parceiro dele nos três primeiros álbuns, incluindo Thriller.
E no começo desse ano, Michael ensaiava para a volta aos palcos, para uma turnê de 50 shows que teria sua abertura em Londres.
This Is It é um documentário que dá conta de mostrar as gravações dos ensaios para essa turnê. This Is It são ensaios, e apenas ensaios. São raros os depoimentos, são raras as intervenções.
O filme mostra uma banda perfeitamente ensaiada, executando magistralmente as músicas de MJ, mas não é por isso que This Is It veio parar aqui nas linhas do blog.
A entrega de Michael Jackson aos ensaios é impressionante. Apesar de que suas declarações dizendo que “deus ama a todos” soam um pouco forçadas, a dedicação com a sua própria música é invejável a qualquer músico do planeta.
Ver o sincronismo dos dançarinos, o profissionalismo dos músicos, a preocupação – as vezes até excessiva – do diretor de palco, o trabalho de iluminação, de produção de vídeo. Não tem como não ficar de queixo caído para o preciosismo de This Is It.
Só para o nosso amigo leitor ter uma idéia do que o filme mostra, é possível notar, em diversas e diversas cenas, a perfeição com que MJ executa seus passos, onde a câmera se divide em duas, mostrando dois ensaios diferentes, e a repetição dos passos de MJ é praticamente idênticos.
Tudo é pensado. Tudo é milimetricamente pensado.
Quando falamos aqui no blog, em linhas e entre-linhas, que nada pode ser aleatório, é justamente disso que falamos. De um artista que procura, como o próprio Michael diz em certa cena, levar o espectador a lugares em que ele nunca esteve.
A arte tem de ser responsável pelas emoções que causa ao espectador. E o artista TEM de ser responsável por sua arte.
Ou seja, numa regra de três simples, o artista é responsável pelo espectador. É o artista que escolhe o tanto de trabalho que ele quer ter com um show. E Michael Jackson estava, decididamente, disposto a ir até o fim para fazer um show jamais visto.
Infelizmente, This Is It é o Making Off de um show que jamais existiu. Michael Jackson foi, mas deixa um legado invejável.
O artista desaparece, mas sua obra fica, servindo para sempre de inspiração.
ins-piração.